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Reforma Tributária e o Fator R: O que Esperar para Prestadores de Serviço

A Reforma Tributária que está em fase de implementação no Brasil não altera apenas os tributos sobre consumo — como ICMS, ISS, PIS e Cofins. Ela também pode mexer indiretamente em regras específicas do Simples Nacional, e entre elas, o Fator R é um dos pontos mais relevantes para prestadores de serviço.

O Fator R define em qual anexo do Simples Nacional a sua empresa será tributada, e isso impacta diretamente o valor dos impostos pagos. Com as mudanças da Reforma, é fundamental entender como ele pode ser afetado e o que fazer para continuar pagando menos.

Neste guia, você vai ver:

  • O que é o Fator R e como ele funciona hoje.
  • Como a Reforma Tributária pode mexer nas regras.
  • Quais atividades serão mais impactadas.
  • Estratégias para manter a tributação no anexo mais vantajoso.

1. O que é o Fator R no Simples Nacional

O Fator R é um cálculo usado para determinar se a sua empresa de prestação de serviços será tributada pelo Anexo III ou pelo Anexo V do Simples Nacional.

A fórmula é: Fator R=Folha de Salaˊrios dos uˊltimos 12 mesesReceita Bruta dos uˊltimos 12 meses×100Fator\ R = \frac{\text{Folha de Salários dos últimos 12 meses}}{\text{Receita Bruta dos últimos 12 meses}} \times 100Fator R=Receita Bruta dos uˊltimos 12 mesesFolha de Salaˊrios dos uˊltimos 12 meses​×100

  • Se o resultado for igual ou superior a 28% → a empresa é tributada pelo Anexo III (alíquotas menores).
  • Se o resultado for inferior a 28% → a empresa é tributada pelo Anexo V (alíquotas mais altas).

2. Como funciona hoje na prática

Exemplo:
Uma empresa de serviços de informática faturou R$ 600.000 nos últimos 12 meses e gastou R$ 180.000 com folha de salários (incluindo encargos). Fator R=180.000600.000×100=30%Fator\ R = \frac{180.000}{600.000} \times 100 = 30\%Fator R=600.000180.000​×100=30%

Como o resultado é maior que 28%, essa empresa fica no Anexo III e paga menos impostos.

Se tivesse ficado abaixo de 28%, iria para o Anexo V, que pode ter alíquotas iniciais acima de 15%.


3. Reforma Tributária: o que está em jogo

A Reforma Tributária não cita o Fator R diretamente no texto constitucional, mas o tema deve aparecer na lei complementar que vai regulamentar o Simples Nacional dentro do novo sistema de tributos (IBS + CBS).

Existem três possibilidades no radar:

  1. Manter o Fator R como está
    • Continua a regra dos 28% para definir anexo.
    • Pequenas adaptações para incluir novos tributos na base de cálculo.
  2. Alterar o percentual mínimo
    • O percentual de 28% poderia mudar para 25% ou 30%, o que afetaria a quantidade de empresas que se beneficiam do Anexo III.
  3. Extinguir o Fator R
    • Colocar todas as atividades em anexos fixos, sem depender da proporção folha/receita.
    • Essa opção é discutida como forma de simplificar, mas pode aumentar impostos para alguns setores.

4. Impacto para prestadores de serviço

O efeito das mudanças será sentido de forma diferente conforme o tipo de serviço.

4.1. Setores que dependem do Fator R

  • Consultorias e assessorias.
  • Empresas de TI.
  • Clínicas e consultórios médicos.
  • Empresas de design, arquitetura e engenharia.

Para esses negócios, ficar no Anexo III pode significar pagar 6% a 8% a menos em impostos.

4.2. Risco de aumento da carga tributária

Se o percentual mínimo subir ou o Fator R for extinto, empresas com baixa folha de pagamento poderão ter que migrar para o Anexo V — aumentando o imposto pago em até 40%.


5. Relação com a CBS e o IBS

A Reforma cria dois novos tributos:

  • CBS (federal, substitui PIS/Cofins).
  • IBS (estadual/municipal, substitui ICMS e ISS).

Para empresas de serviços, o ISS será absorvido pelo IBS, e a forma de calcular o DAS poderá ser ajustada para incluir essas mudanças.

Se o cálculo do Fator R continuar, será preciso definir como a CBS e o IBS entram na conta.


6. Estratégias para manter-se no Anexo III

Enquanto a nova lei complementar não sai, você pode se preparar para qualquer cenário:

  1. Aumente a folha de salários
    • Contrate formalmente funcionários que hoje atuam como PJ.
    • Inclua pró-labore dos sócios na folha.
  2. Controle o faturamento
    • Planeje a emissão de notas para não ter picos que reduzam o Fator R.
  3. Revise contratos
    • Inclua cláusulas que permitam ajuste de preços caso a carga tributária aumente.
  4. Invista em contabilidade estratégica

7. Erros comuns que podem custar caro

  • Não calcular o Fator R mensalmente e descobrir no fechamento do ano que caiu para o Anexo V.
  • Contratar PJs para economizar na folha, reduzindo o índice.
  • Não acompanhar mudanças legislativas, especialmente nos anos de transição da Reforma.

8. Cronograma da Reforma e o Fator R

AnoSituação provável
2025Discussão da lei complementar que definirá o futuro do Fator R.
2026Teste do IBS e CBS, ajustes no Simples Nacional.
2027Primeiros impactos reais nas empresas de serviços.
2028-2033Adaptação definitiva ao novo sistema.

9. Conclusão

O Fator R é hoje um dos mecanismos mais importantes para prestadores de serviço no Simples Nacional pagarem menos impostos.

A Reforma Tributária pode manter, alterar ou extinguir essa regra, e isso fará diferença direta no seu bolso.

O ideal é monitorar o cenário, ajustar a folha e buscar apoio especializado para garantir que a sua empresa continue no anexo mais vantajoso possível.

Uma contabilidade online em SP com experiência no Simples Nacional e no Fator R pode criar estratégias personalizadas para reduzir sua carga tributária, independentemente das mudanças que venham.