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Reforma Tributária 2025: O que Muda para Empresas do Simples Nacional

A Reforma Tributária está oficialmente em andamento no Brasil e promete mudanças profundas no sistema de cobrança de impostos. Embora o Simples Nacional seja um regime diferenciado para micro e pequenas empresas, as novas regras também terão impactos diretos e indiretos sobre quem está nesse enquadramento.

Neste artigo, você vai entender:

  • Quais mudanças já estão confirmadas.
  • O que pode afetar ME, EPP e MEI.
  • Como será a transição até 2033.
  • O que fazer para se preparar e pagar menos impostos.

1. Entendendo o Simples Nacional

Antes de falarmos das alterações, é importante relembrar como funciona o Simples Nacional.

Criado pela Lei Complementar 123/2006, ele unifica o recolhimento de vários tributos em uma única guia — o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) — englobando impostos federais, estaduais e municipais.

No DAS, o contribuinte paga:

  • IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica
  • CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
  • PIS/Pasep
  • Cofins
  • IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados (quando aplicável)
  • ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
  • ISS – Imposto sobre Serviços

O objetivo sempre foi simplificar a vida do empreendedor e reduzir a carga tributária. Mas, com a Reforma, algumas regras mudarão e o jogo pode ficar diferente.


2. A Reforma Tributária em Resumo

A PEC 45/2019, aprovada em 2023 e regulamentada ao longo de 2024 e 2025, tem como principal proposta substituir cinco tributos sobre consumo por dois novos:

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – de competência estadual e municipal.
  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – de competência federal.

Esses dois tributos serão aplicados no formato IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que é usado na maioria dos países e evita a chamada “cascata” de impostos.

Importante: O Simples Nacional não será extinto, mas o cálculo e recolhimento de alguns tributos vão mudar, principalmente para empresas que compram ou vendem para clientes fora do regime.


3. O que Muda para Empresas do Simples Nacional

O ponto mais importante é: as alíquotas internas do Simples Nacional não serão alteradas diretamente pela Reforma, mas a forma de recolher e repassar tributos pode mudar.

Vamos aos principais impactos confirmados e prováveis:

3.1. Nova forma de destacar impostos nas notas fiscais

Mesmo estando no Simples, a empresa poderá ter que destacar o IBS e a CBS nas notas quando vender para clientes fora do Simples Nacional. Isso vai exigir atualização de sistemas de emissão e atenção extra na precificação.

3.2. Crédito de impostos para clientes

Atualmente, empresas do Simples não geram crédito de PIS/Cofins ou ICMS para seus clientes. Com a Reforma, haverá a possibilidade de permitir que empresas compradoras usem parte do IBS/CBS pago pelo Simples como crédito, aumentando a competitividade.

3.3. Tributação sobre benefícios fiscais

Alguns incentivos estaduais e municipais podem ser extintos ou incorporados à nova alíquota do IBS. Isso afeta principalmente empresas do Simples que atuam no comércio e indústria.

3.4. Novos critérios para substituição tributária

A Substituição Tributária (ST), que antecipa o pagamento do ICMS, deverá ser revista. Isso pode reduzir a carga de alguns setores, mas também exigir ajustes de fluxo de caixa.

3.5. Obrigações acessórias adaptadas

Ainda que o DAS continue existindo, empresas do Simples poderão ter obrigações acessórias extras relacionadas ao IBS e CBS, principalmente para operações interestaduais e vendas para grandes empresas.


4. Linha do Tempo de Implementação

A Reforma não será implantada de uma vez. Haverá um período de transição que vai de 2026 a 2033:

AnoAlteração prevista
2026Início da cobrança teste do IBS e CBS (alíquota simbólica).
2027Redução gradual do PIS/Cofins, início efetivo da CBS.
2028Redução gradual do ICMS e ISS, aumento progressivo do IBS.
2029-2032Ajuste anual das alíquotas até a substituição total dos tributos antigos.
2033Extinção completa de PIS, Cofins, ICMS e ISS.

5. Impactos por Tipo de Empresa do Simples

Cada segmento sentirá a Reforma de forma diferente:

Comércio

  • Maior possibilidade de gerar créditos para clientes.
  • Ajuste nos preços para competir com empresas fora do Simples.

Indústria

  • Possível redução de carga via eliminação da cumulatividade.
  • Adaptação da ficha técnica para destacar impostos.

Serviços

  • Pode enfrentar aumento de carga caso o Fator R seja revisto.
  • Necessidade de revisar contratos de longo prazo.

6. Como se Preparar para as Mudanças

A melhor estratégia é antecipar-se. Veja algumas ações práticas:

  • Atualizar o sistema de emissão de notas fiscais para incluir campos de IBS e CBS.
  • Revisar a precificação considerando possíveis créditos para clientes.
  • Reavaliar contratos de prestação de serviços e fornecimento.
  • Acompanhar a legislação de perto, pois detalhes técnicos serão definidos em leis complementares.
  • Contar com apoio especializado, como uma contabilidade online em SP que entenda tanto o Simples Nacional quanto a Reforma Tributária.

7. Erros Comuns que as Empresas do Simples Devem Evitar

  1. Ignorar a transição e só se preocupar em 2027 ou 2028.
  2. Não treinar a equipe para entender as mudanças nos documentos fiscais.
  3. Manter preços antigos sem considerar os créditos que clientes poderão aproveitar.
  4. Deixar de atualizar o sistema contábil e fiscal.
  5. Não fazer simulações de carga tributária para diferentes cenários.

8. Oportunidades que a Reforma Pode Trazer

Apesar de parecer algo complexo, há oportunidades para quem se adaptar rápido:

  • Ganhar competitividade ao oferecer créditos fiscais para clientes.
  • Reduzir custos administrativos com a simplificação de tributos.
  • Aproveitar incentivos na transição para modernizar processos.
  • Expandir para outros estados sem tanta diferença de carga tributária.

9. Conclusão

A Reforma Tributária 2025 é um marco histórico e vai mudar a forma como empresas — inclusive as do Simples Nacional — se relacionam com o fisco.

Mesmo que a alíquota do DAS continue a existir, a integração com o IBS e a CBS exigirá planejamento, adaptação e acompanhamento constante.

Empresas que se prepararem desde já poderão não apenas evitar problemas, mas também aumentar a competitividade e reduzir custos no médio e longo prazo.

Se você quer passar por essa transição com segurança, conte com uma contabilidade online em SP que entende a legislação e sabe como aplicar estratégias para pagar menos impostos.